quarta-feira, 3 de agosto de 2011

VeganLand

Sempre gostei de histórias lúdicas. Sempre gostei de sonhos. Sempre sonhei muito, dormindo ou acordada.

Nos últimos dias histórias sobre sonhos tem povoado, acidentalmente (ou não, partindo do princípio que não existem coincidências) minhas tardes. Histórias que falam sobre esse choque entre real e imaginativo. Sim... Imaginativo e não imaginário. Histórias que falam sobre perder o senso sem perceber, se perdendo nas profundezas do seu próprio ser, se mesclando e se entrelaçando.

O que é real? Alguém pergunta.

Essa noção toda é bastante confusa, e também bastante metafórica. Mas eu gosto de metáforas, elas fazem essa conexão que tanto gosto e que tanto me atrai e fascina.

E a melhor metáfora para isso está no bom e velho País das Maravilhas. Um lugar onde gatos voam, falam e desaparecem, lagartas fumam e dão conselhos, as flores cantam num uníssono perfeito, o coelho veste um colete e se preocupa com a hora, a lebre e o chapeleiro cantam em comemoração ao seu desaniversário e bebem chá, um castelo está fincado no meio do labirinto, e os seres temem ser decapitados pela rainha (essa parte bem que poderia ser real), e seu exército de cartas pinta suas rosas...

É... Mas a versão moderna, essa do Tim Burton, vai mais além. Eu não costumo gostar dos filmes do Tim Burton. Não sei bem por que, ele tem uma estética meio esquizofrênica que geralmente me atrairia. Mas não é da estética que estou falando. Da estética eu gosto. Acho que não gosto das temáticas que ele geralmente escolhe. Acho que é isso. Geralmente acho tudo muito raso, apesar de bonito.

Mas dessa fez foi diferente. Eu sei que esse filme foi lançado já tem um tempo e esse texto vem com certo atraso. Bom... Mas atraso em relação a que? Nada tem tempo, isso são apenas convenções velhas e sem sentido. O tempo da crítica é o tempo do agora, o tempo exato em que se faz algo, no caso, ver um filme. Sem essa de tempo marcado ou tempo passado. Apenas tempo vivido no exato instante em que deveria ser vivido.

E fiquei ali, diante da telinha do computador, me apaixonando por essa linda versão aparentemente esquizofrênica. (Adoro essa palavra! Dá pra notar?). Uma nova e perfeita interpretação.

Seria tudo apenas um sonho? Seria tudo predestinado a acontecer exatamente daquela maneira? Não importa. O que importa é a percepção de que não existe diferença entre sonho e realidade. O sonho É a realidade, e a realidade É o sonho. Entende?

E eu fiquei particularmente encantada por vários motivos. Eu sempre tive um fraco por rebeldias, especialmente as femininas. Há quem diga que eu sou meio rebelde... Meio... Isso implicaria em você ser meia também, como disse o chapeleiro...

E esse filme tem um quê de rebeldia feminina. Mas essa é a máscara superficial dele, mas na verdade é somente mais uma metáfora, assim como Wonderland é a grande metáfora. A história fala sobre tomar a frente, assumir nossas escolhas e ações, assumir o controle sobre nossas vidas. Viver a realidade! Sim, ele fala sobre isso. Não importa se estamos indo de encontro ao que esperam que a gente faça, se estamos desapontando alguns. O que importa é assumir o que realmente queremos e somos.

No meu caso seria algo bem fantástico assim. Sim! Criar um mundo novo. Tenho uma amiga que há um tempo chamou esse novo mundo de Veganland, e nós começamos a brincar sobre isso. Um mundo novo, onde exista paz, respeito, amor, carinho e afeto. Um mundo onde os pássaros cantem e voem livremente lá no céu, onde as águas dos rios sejam limpas e transparentes, onde os peixes nadem e respirem tranquilamente, onde as árvores creçam e dêem abrigo para os seres mágicos da floresta, onde as joaninhas e formiguinhas tenham seu espaço garantido, e onde a chuva caia refrescante numa tarde quente. Um mundo onde não existam guerras e brigas, onde destruição seja uma palavra desconhecido. Um mundo onde todos dêem as mãos em beneficio mútuo, onde as crianças possam rir felizes de suas histórias, onde todos os Reinos façam parte do mesmo planeta. Porque todos compreendemos que habitamos a mesma casa, o mesmo lar, e estamos todos em casa. Um mundo sem intrigas ou tragédias. Um mundo de Luz, de La Belle Verte.

Um mundo assim será possível? “Às vezes eu penso em seis coisas impossíveis antes do café da manhã”.

Acho que a pergunta principal não é se é possível ou não. Mas onde, exatamente, nós, seres humanos, cabemos nesse mundo? Nossas ações diárias nos levam pelo caminho diametralmente oposto a esse. Nós cultivamos coisas pseudo-racionais, idolatramos papel colorido, idealizamos o mundo dos sonhos como um local metálico, climatizado, sem muitas cores ou cheiros, bem afastado daquilo que chamamos de selvagem. Achamos bonito essas noções de civilidade. E assim, deste modo estranho, usurpamos todas as formas de vida que compartilham o planeta conosco, como se eles não tivessem o direito de existirem aqui. Inclusive os outros seres humanos.

Uma vez eu li uma frase que nunca mais me saiu da cabeça, apesar de ter completamente esquecido a fonte. “Violência é ter que pagar só para poder existir no planeta”. Sim!

E o filme foi correndo, Alice foi aumentando e diminuindo, e eu fiquei ali pensando sobre essas noções de real e imaginativo. E como isso tudo é, de fato, uma grande besteira implantada nas nossas cabeças para impedir que as idéias creçam. E aí lembrei do outro filme que povoou uma tarde qualquer dessa semana, e da frase que lá ouvi. “Qual é o parasita mais resistente? Bactéria? Vírus? Um verme intestinal? Uma idéia. Resistente e altamente contagiosa. Quando uma idéia domina o cérebro, é quase impossível erradicá-la.”.

É isso aí! Se queremos criar um mundo novo, o primeiro passo é idealizá-lo. É preciso arriscar ser chamado de louco, maluco, radical. O radicalismo é o único e verdadeiro caminho para mudança. Se posicionar radicalmente contra esse mundo caótico e a esses valores que corrompem e destroem, e radicalmente a favor de um mundo novo, pautado em novos valores, valores de pureza e de amor! Ser radical, buscar as raízes do sistema, alterar suas bases! Só assim poderemos ver uma estrutura totalmente nova.

Quem quiser me acompanhar é bem vindo a bordo! Nesse trem de idéias! E desejando ardentemente que as idéias voltem a ser perigosas! Rumo a VeganLand!

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